O canto do galo

Leia o “post” abaixo. Vale a pena! Abração,

Luciano Almeida Ferreira.

Meu pensamento é um devorador de imagens. Quando uma boa imagem me aparece eu rio de felicidade e o meu pensador se põe a brincar com ela como um menino brinca com uma bola. Se me disserem que esse hábito intelectual não é próprio de um filósofo, que os filósofos devem se manter dentro dos limites de uma dieta austera de conceitos puros e sem temperos, eu invoco em minha defesa Albert Camus, que dizia que “só se pensa através de imagens”. Amo as imagens, mas elas me amedrontam. Imagens são entidades incontroláveis que freqüentemente produzem associações que o autor não autorizou. Os conceitos, ao contrário, são bem comportados, pássaros engaiolados. As imagens são pássaros em vôo… Dai o seu fascínio e o seu perigo.

Mas eu não consigo resistir à tentação. Assim, vai uma parábola que me apareceu, com todos os riscos que ela implica:

“Era uma vez um granjeiro que criava galinhas. Era um granjeiro incomum, intelectual e progressista. Estudou administração para que sua granja funcionasse cientificamente. Não satisfeito, fez um doutorado em criação de galinhas. No curso de administração aprendeu que, num negócio, o essencial é a produtividade. O improdutivo dá prejuízo; deve, portanto, ser eliminado.

Aplicado à criação de galinhas esse princípio se traduz assim: galinha que não bota ovo não vale a ração que come. Não pode ocupar espaço no galinheiro. Deve, portanto, ser transformada em cubinhos de caldo de galinha.

Com o propósito de garantir a qualidade total de sua granja o granjeiro estabeleceu um rigoroso sistema de controle da produtividade das suas galinhas. Produtividade de galinhas é um conceito matemático que se obtém dividindo-se o número de ovos botados pela unidade de tempo escolhida. Galinhas cujo índice de produtividade fosse iguais ou superiores a 250 ovos por ano podiam continuar a viver na granja como galinhas poedeiras.
O granjeiro estabeleceu, inclusive, um sistema de “mérito galináceo”: as galinhas que botavam mais ovos recebiam mais ração. As galinhas que botavam menos ovos recebiam menos ração. As galinhas cujo índice de produtividade fosse igual ou inferior a 249 ovos por ano não tinham mérito algum e eram transformadas em cubinhos de caldo de galinha.

Acontece que conviviam, com as galinhas poedeiras, galináceos peculiares que se caracterizavam por um hábito curioso. A intervalos regulares e sem razão aparente, eles esticavam os pescoços, abriam os bicos e emitiam um ruído estridente e, ato contínuo, subiam nas costas das galinhas, seguravam-nas pelas cristas com o bico, e obrigavam-nas a se agachar. Consultados os relatórios de produtividade, verificou o granjeiro que isso era tudo o que os galos – esse era o nome daquelas aves – faziam. Ovos, mesmo, nunca, jamais, em toda a história da granja, qualquer deles havia botado. Lembrou-se o granjeiro, então, das lições que aprendera na escola, e ordenou que todos os galos fossem transformados em cubos de caldo de galinha.

As galinhas continuaram a botar ovos como sempre haviam botado: os números escritos nos relatórios não deixavam margens a dúvidas. Mas uma coisa estranha começou a acontecer. Antes, os ovos eram colocados em chocadeiras e, ao final de vinte e um dias eles se quebravam e de dentro deles saiam pintinhos vivos. Agora, os ovos das mesmas galinhas, depois de vinte e um dias, não quebravam. Ficavam lá, inertes. Deles não saiam pintinhos. E se ali continuassem por muito tempo, estouravam e de dentro deles o que saia era um cheiro de coisa podre. Coisa morta.

Aí o granjeiro científico aprendeu duas coisas:

Primeiro: o que importa não é a quantidade dos ovos; o que importa é o que vai dentro deles. A forma dos ovos é enganosa. Muitos ovos lisinhos por fora são podres por dentro.

Dois: há coisas de valor superior aos ovos, que não podem ser medidas por meio de números. Coisas sem as quais os ovos são coisas mortas”.

Essa parábola é sobre a universidade.

As galinhas poedeiras são os docentes. Corrijo-me: docente, não. Porque docente quer dizer “aquele que ensina”. Mas o ensino é, precisamente, uma atividade que não pode ser traduzida em ovos; não pode ser expressa em termos numéricos. A designação correta é “pesquisadores”, isto é, aqueles que produzem artigos e os publicam em revistas internacionais indexadas.

Artigos, como os ovos, podem ser contados e computados nas colunas certas dos relatórios. As revistas internacionais indexadas são os ninhos acreditados. Não basta botar ovos. É preciso botá-los nos ninhos acreditados. São os ninhos internacionais, em língua estrangeira, que dão aos ovos a sua dignidade e valor. A comunidade dos produtores de artigos científicos não fala o português. Fala inglês.

Resultado da pressão “publish or perish”, bote ovos ou sua cabeça será cortada, a docência termina por perder o sentido. Quem, numa universidade, só ensina, não vale nada.
Os alunos passam a ser trambolhos para os pesquisadores: estes, ao invés de se dedicarem à tarefa institucionalmente significativa de botar ovos, são obrigados pela presença de alunos a “gastar” o seu tempo numa tarefa irrelevante: ensino não pode ser quantificado (quem disser que o ensino se mede pelo número de horas/aula é um idiota).

O que está em jogo é uma questão de valores, uma decisão sobre as prioridades que devem ordenar a vida universitária: se a primeira prioridade é desenvolver, nos jovens, a capacidade de pensar, ou se é produzir artigos para atender a exigência da comunidade científica internacional de “publish or perish”.

Eu acho que o objetivo das escolas e universidades é contribuir para o bem estar do povo. Por isso, sua tarefa mais importante é desenvolver, nos cidadãos, a capacidade de pensar. Porque é com o pensamento que se faz um povo. Mas isso não pode ser quantificado como se quantificam ovos botados. Sugiro que as nossas universidades, ao avaliar a produtividade dos que trabalham nela, dêem mais atenção ao canto do galo…

Rubem Alves

59 Respostas para “O canto do galo”

  1. cláudia melgaço dos santos Disse:

    Eu acho que todas as instituições tem sempre que contribuir para que todos, possam ter a oportunidade de se tornar cidadãos pensadores, independente de produzirem muito ou pouco cada um é cada um, nunca podemos julgar a capacidade dos outros.

    um abraço!

  2. Luzina Mateus Disse:

    É realmente no meio em que somos inseridos o que se valoriza é a quantidade e não a qualidade. A formação intelectual do ser fica esperando sempre um momento que quase ou nunca chega. Mas a verdade é essa só é valorizado aquilo que pode ser visto.

  3. Daniela Salgado Lopes Disse:

    Lamentavelmente o que temos hoje são pessoas com pouca qualificação apadrinhadas por pessoas influentes e os pesquisadores, verdadeiros profissionais que deveriam ser valorizados ganhando pouco e seus trabalhos científicos vistos como nada, sem levar em consideração os conteúdos e a bagagem que cada um possue.

  4. Luciomar G.Santos Disse:

    A necessidade de ser valorizado pela quantidade de artigos escritos ( muitos fúteis e inúteis) faz com que um numero expressivo de docentes fiquem presos a apresentar seus trabalhos junto a bancas, infelizmente muitos destes trabalhos ficam distantes da realidade dos alunos e da sociedade (preocupamos em como mandar o próximo astronauta a lua e nem sabemos fazer uma vacina contra a malária, que já era citada pelos romanos).

  5. Wellington Dias da Silva Disse:

    Mais importante que os títulos, artigos e méritos de um professor, são a formação ética e cultural do cidadão até mesmo porque os estrangeiros estão apenas colhendo o que não plantou. Raramente um país se preocupa com nossa educação, mas depois de formados querem se beneficiar dos “nossos conhecimentos“ adquiridos.

  6. brunno h brito Disse:

    Como educadores, devemos frisar mais pela qualidade. Com certeza nenhum de nós queremos que nossos filhos sejam apenas mais um em sua escola. Queremos que nossos filhos tenham professores como o do filme, que valoriza cada aluno.

  7. cláudia Disse:

    Como professores, devemos buscar a cada dia mais pela qualidade. que é mais importante do que qualquer mérito, todos nós queremos uma educação de qualidade para os nossos filhos.

  8. Lauro Aguiar Vieira Disse:

    Talvez a questão de ser um doutor ou um mestre, não, influencia na qualidade de ser um professor em sala de aula. Se ele não usar uma didática que seja compreensiva e que consiga transmitir pro aluno o seu domínio de conteúdo e que ele realmente goste do que está fazendo, não mudará nada para ele, vai continuar sendo o mal professor sempre. Term que gostar do que se está fazendo.

  9. MARIA CECILIA Disse:

    As universidades atualmente seguem o interesse do granjeiro, querem formar muitos profissionais com baixo conteúdo intelectual, que não frutificarão ou seja não repassarão a frente seus conhecimentos,não alcançarão os objetivos a que se propõe. E como o granjeiro descartou os galos, as universidades descartam bons professores, com a intenção de baixar custos, no final do processo os ovos não irão fecundar, ou seja a má formação levará a sociedade profissionais que não estarão com capacidade de atuar em suas áreas, que em comparação seriam os ovos chocos.

  10. Ivanete Rosa Costa Disse:

    Esta parabola é muito importante para os academicos em formação, pois deichou um claro entendimento de que devemos nos prepara para sermos futuros professores que iremos nos preocupar com a qualidade de encinar e fazer a deferença na sociedade em que vive.

  11. pamela Disse:

    Hoje no mundo no qual vivemos se busca muito o valor material e não o espirtual, são necesidades que o ser humano criado pra chegar a terrivel conclução que só vale e só é medido a quantidade mas não se procura a qualidade de alma nem de espiritu como diz o velho ditado: (quando vc tem vc vale, quando não tem vc não vale), isso levado a educação digamos busquemos a qualidade de nossos alunos e demos a eles o potencial, sabiduria que dentro levamos.

  12. Luciano Hermes Disse:

    muito interessante. me fez pensar em qual deve ser a finalidade basica de um professor. qual deve ser o objetivo de um professor. grato

  13. Elaineide Simão de Sousa Disse:

    O docente e muito pressionado em ter resultados no final de cada avaliação institucional, às vezes com as pressões dificultar na boa atuação do professor. Como ensinar com qualidade e pressão, aí cabe o docente saber administração as pressões sem prejudica na qualidade do ensino. Os resultados devem ser reflexos de bom desempenho na sala de aula com aluno, uma troca de informações e saberes.

  14. Iracélia Lima Disse:

    A situação é crítica para aqueles profissionais que muitas vezes estão verdadeiramente interessados em produzir conhecimento que vai acrescentar na vida dos alunos…me lembro quando eu cursava a graduação de pedagogia tinha duas professoras de uma determinada disciplina que realizaram um projeto de construção de um livro escrito por nós alunos, onde nós seríamos os escritores deste livro, cada um com o seu tema. As professoras sofreram ameaças dos outros professores e até do diretor do Campus pois estes notaram que tal projeto teve seu valor reconhecido por parte da comunidade acadêmica. O livro acabou saindo com muita luta, sem patrocínio financeiro, sem apoio da instituição e quase com a demição das professoras. Com isso pude perceber que muitas instituições formam “panelinhas” onde se você não fala a lingua deles você está fora, não tem apoio, nem vez e nem voz. Existem muitos profissionais com boas idéias mais falta espaço para expor, falta respeito.

  15. Adriele alves Vieira Brasil Disse:

    O texto retrata a formação de uma bom profissional para o mercado de trabalho é preciso que o mesmo seja competente, assíduo, compromissado e flexível na sua área para realizar um trabalho de qualidade para garantir seu espaço no mercado.

  16. Simone de Oliveira Disse:

    Acho q o segredo do bom profissional é não encarar a profissão como “trabalho”, mas como uma paixão, o objeto de seu maior interesse, ao qual ele pode se dedicar por horas, dias, anos, sempre querendo ir além semp procurando melhorar..

  17. Ana Lúcia Michelly Disse:

    Qualidade de ensino é a palavra chave, o conhecimento restrito de nada tem valor se você não passar adiante. então é importante citar que um bom profissional é aquele que faz de sua atividade um prazer gratificante,assim ele estará plantando Frutos saudavéis e não colherá para sua sociedade Frutas podres.

  18. luciane de paula Disse:

    Não importa a quantidade de horas, mais sim que o ensimo seja de qualidade que passa para os alunos. Ensino não se mede, se qualifica os alunos

  19. Natália dos Reis Fernandes Disse:

    Após leitura desse texto é importante ressaltar que o homem precisa manter o equilíbrio de todas as coisas. Quando se trata de ensino e aprendizagem percebemos que o ensino não pode ser medido porque as pessoas possuem habilidade e competências diferenciadas. O mais importante é aprender e ensinar significativamente rumo ao sucesso pessoal e profissional.

  20. Wanderley da S Junior Disse:

    O conhecimento adquirido deve ser usado de forma responsável, devemos priorizar por um ensino que traga satisfação tanto para o docente quanto para o discente, onde haja um aprendizado mútuo.
    Uma relação que um tire do outro o que ha de melhor, ajude a reconstruir as falhas cognitivas.

  21. aline Disse:

    Eu realmente concordo, nas universidades ou em qualquer outro ambito escolar quem nao produz nao tem valor , mais para isso acontecer os pesquisadores tem que saber passar o que se tem de melhor. O ensino nao tem que ser medido em horas e sim em qualidade.

  22. irisnei nunes marinho Disse:

    Não podemos medir a qualidade de nosso ensino por número de alunos portadores de diplomas pois a nossa educação é finaciada, o sistema de educação aliena os profissionais que nela trabalha é lamentavel mas é dessa forma que acontece. principalmente com o ensino público, é claro que não podemos generalizar mas a nossa educação atual sobrevive através de números NÚMEROS que não siguinifica qualidade e sim quantidade.

  23. Lays Aires Disse:

    Eu tava lendo a parábola, mais eu sabia que os galos tinham que ter alguma função mais importante do que virar caldo de galinha. kkkkkk. Gostei muito da comparação com a universidade, pois existem muitas universidades que estão interessadas na quantidade de acadêmicos do que na qualidade. Quando na realidade a universidade deve ser um local onde gere conhecimento, mais não somente o conhecimento quantitativo mais o conhecimento que o acadêmico vai levar dentro de si. Pois como já dizia o granjeiro: o que importa não é a quantidade dos ovos; o que importa é o que vai dentro deles. A forma dos ovos é enganosa. Muitos ovos lisinhos por fora são podres por dentro.

  24. geane Disse:

    As Universidade geralmente não se preoculpa com formação do acadêmico e sim com a parte financeira .

  25. Giselle França Disse:

    Pra começar deve se considerar a necessidade que as pessoas têm em estudar.
    Aprender, para poder “sobreviver” no mundo atual e extremamente competitivo, e que não mais oferece condições de sobrevivência a quem não possuir instrução.
    Ainda há muito a se fazer em termos de educação.

  26. Tamyris Kelly Disse:

    O texto me faz lembrar de uma coisa que o proprio Luciano fala em sala: “Notas não querem dizer nada.”
    O que realmente importa, é o aprendizado, o conhecimento adquirido, a troca de experiencias.

  27. Adeliana Cavalcante Disse:

    Infelismente é assim que funciona, “se não botar ovos, vira caldo de galinha”.
    Pouco importa que você aprende, se não puder mostrar, não serve! A qualidade do ensino acaba não sendo o foco, mas sim, quantos sairão formados dali, isso é muito comum, não só no meio acadêmico, mas em tudo na vida, só é válido o que se pode ver.

  28. Claudio de Sousa Santos Disse:

    É isto… diploma de curso superior, pós graduação,mestrado e doutorado. Conquistas que abrem portas em entidades de ensino superior e outras coisas mais. Mas e o professor em sua essencia que é capaz de ministrar uma aula do mesmo jeito que um maestro rege uma orquestra, onde ele está? Talvez esteja em um ovo, chocado de conhecimento e didática, esperando os 21 dias para nascer(se o sistema o permitir). Talvez esteja em um ovo com conhecimento, e não foi fecundado com didática, e quando de uma maneira tal nasce é tragado pela realidade nua e crua que ele, apesar do conhecimento que tem, não dispoe de meios para transmitir. A verdade é que retirando-se a qualidade do ensino(galo), este torna-se inutil para o fim que se é esperado, o ensinar.

  29. Heloiza Martins Disse:

    Frase propicia pro momento “Ninguém sabe o que calado quer” quando nos dispomos a estudar principalmente na educação superior, é gerado uma expectativa, não somente em nós mesmos mas na sociedade, de que ao termino desse ensino teremos mais um individuo apto a um diferencial na sua comunidade, é isso que o ensino em qualquer nivel que se fale sugere:”Educação que muda a sociedade” muito se fala sobre educação e mudança, pouco se vê dobre seus efeitos e toda aquela expectativa anterior vem abaixo, isso acaba fazendo das grandes universidades “fabricas” de diplomas, sem muita serventia moral, sem preocupação em crescimento mútuo, ou mesmo conjunto. E vai ser assim até o dia em que as galinhas virem o risco iminente de virar caldo, e tiverem que reagir.

    • lucianoaferreira Disse:

      Hehehe. Não sou “galinha”, mas não quero “virar caldo” não, rsrs! Mas antes de sairmos mudando a sociedade, rsrsr…. é preciso parar, ponderar e se perguntar: “onde estamos”? “qual é a nossa situação”? “onde queremos chegar, mesmo”? Estas são apenas algumas “perguntinhas” dentre outras a fazer, hehehhe. Apareça sempre que puder! Abração,

      Luciano.

  30. Tainã Costa Disse:

    Isso explica a falta de didática dos docentes, pois se preocupam apenas em serem reconhecidos pelas suas publicações e não pelo método de ensino. Numa universidade, quem só ensina, não vale nada!

    • lucianoaferreira Disse:

      Infelizmente é, mais ou menos, por aí. Publique ou pereça! Eis o medonho lema! Apareça sempre que quiser! Abraços,

      Luciano.

  31. Lira Neta Disse:

    Pensar, nos leva a conceber idéias, que nos leva a algum lugar, que produz matéria vida, em vez de matéria putrefata.

    É preciso que o galo cante.

    • lucianoaferreira Disse:

      Um ode aos que estão adormecidos nos “puleiros” deste país! Cante, cante, cante… vós que estais quietos e deitados em “berço esplêndido”! É hora de sair da “zona de conforto” e mudar HOJE o que está por vir (para que o “vir” seja outro e outras mudanças decorram daí), rsrsrs! Apareça sempre! Abraços,

      Luciano.

  32. Maria Ivonice Disse:

    O autor chama a atenção para um fato que é cada vez mais visível no espaço universitário, sobretudo nos centros de pós-graduação, onde cada professor quer promover seu “seminário, congresso, colóquio…” e por aí vai. O ensino está relegado a segundo plano. Nesse contexto, a gente obersa que a universidade está cada vez mais distante da escola básica, não existe sincronia entre elas, ainda que muitos “pesquisadores” apontem a importância da educação, do professor, do ensino… Isso na maioria das vezes não reflete a postura deles em sala de aula, como se diz, “é tudo teoria”.

  33. Ducileide porto - pedagogia-itop Disse:

    Nas escolas, não sei na rede particular, mas nas publicas os professores de maneira deve conseguir notas e aprovar o aluno, o alto indice de aprovação é o que vai render aos cofres públicos. Isso lá no enem e vestibulares percebe-se tantos (os ovos podres) alunos que passaram sem saber nada.
    Os valores não contam tanto, sim os interesses particulares e aparencia.

  34. Telma Lobo Disse:

    As Escolas e faculdades estão cheias de doutores que não sabem o sentido do ensinar, assim como o “especialista” em “galinhas” não entendia o mero ato da fecundação. Infelizmente estamos longe de não sermos apenas uma mensuração, estamos numa época em que quem se interessa no verdadeiro sentido do aprender e ensinar, corre atraz e se torna um outo didata. Este é o momento perfeito para tentar uma mudança, deixemos de ser números e passemos a ser seres pensantes, dignos e icorruptiveis.

    • lucianoaferreira Disse:

      Somos “números”, hehehehhe. Você é conhecido pelo seuu RG, por seu CPF, pelos “números” (dados) bancários, no serviço público também você é um número, no serviço militar e assim a lista é quase que interminável, rsrsrs. É isso. É complicado. Também quero deixar de ser um “número” tão somente para ser um indivíduo que é para além do “numerário”, hehehehe. É isso. Depois continuo este papo. Abraços,

      Luciano.

  35. Nathália Guimaraes Disse:

    Um bom professor devia ser aquele que além de transmitir conhecimento, fizesse o aluno ter capacidade crítica sobre aquilo que diz, faz ou age. O que importa não é a quantidade de conhecimento que é adquirido, mas sim a qualidade, a capacidade crítica e a formação social desempenhadas pela educação. Como disse o professor Luciano, somos conhecidos pelos números de nossos documentos e não por nossa capacidade de educar e sermos educados para conquistarmos um lugar reconhecido por nossa competência e capacidade de criticarmos e sermos criticados.

  36. Maiara Sobral Disse:

    Infelizmente essa é a realidade da “dita” academia, visto que a aprendizagem e a troca de experiências nem sempre é o mais importante e o relevante. É a relidade dos egos e vaidades, onde os pesquisadores estão, na maioria das vezes, mas preocupados com suas carreiras científicas do que com os estudantes. Assim, é uma questão de mudança de cultura.

    • lucianoaferreira Disse:

      Acho que é também uma questão de discernir o que é importante do que é essencial… É bom a gente pensar nisso. Abração,

      Luciano.

  37. Aos meus alunos deste fim de semana… « Lucianoaferreira’s Weblog Disse:

    [...] http://lucianoaferreira.wordpress.com/2010/08/16/o-canto-do-galo/ [...]

  38. LUCIANA Disse:

    Bom em suma né professor, fala da falta de preocupação dos professores quanto a didatica, da importância que se dá em ter um curriculo vastíssimo, em ser uma pessoa renomada e por ai vai, mas a real importância e preocupação que se deve ter fica adormecida ou até esquecida por causa de uma inversão de valores, inclusive esse assunto vem enaltecer o que falastes em sala, que devemos ter mais preocupação em que os alunos aprendam, do que apenas ensinar o que se sabe, que é o que menos vemos por ai, na qual só contribui para a deficiência da educação brasileira.

  39. Suelem Disse:

    A necessidade de se qualificar é essencial para a melhoria do processo mais a real preocupação tem que ser com o aluno que é onde reflete toda essa qualificação como professor o foco nao pode se perder pois tem que estar voltado para aprendizagem do aluno, que para que isso se desenvolva é necessario uma boa didatica do professor.

  40. laurena Knorst Florencio Disse:

    Quem dera inventar uma escola, curso ou universidade que primasse pela troca de saberes para dizer ao granjeiro que ele precisava do galo para perpetuar a espécie?
    Mas ainda temos, é verdade professores que mesmo tendo que quantificar o saber do aluno, também valorizam muito aprender com ele.
    O X da questão ou sei que letra colocar é quando ela vai para o mercado, aí camarada haja mestrado, doutorado e tudo mais que puder, vão contar somente seus títulos. E nós vamos consumir mais caldo de galinha.

    • lucianoaferreira Disse:

      Passou da hora da “gente” engrossar este caldo com outros “ingredientes”, não é mesmo? Títulos e artigos publicados nem sempre fazem uma boa canja, hehehehe! Inté!

      Luciano.

  41. Jussara Disse:

    Cada universidade, professor, aluno, pessoa… enfim, cada um com seu pensamento, e cada qual com a vida que julga certa. enquanto muitos profissionais da educação previligiam a boa aula preparada e métodos didáticos coerentes, alguns nao estao interessados em nada, pensam apenas no final do mês… mas isso é a realidade da maioria e o que precisa-se mudar é a mentalidade dos alunos, pois quando passarem a exigir mais de seus professores, tendo em mente sua necessidade de formação concerteza nao haverá tanta falta de vontade do corpo docente, e também tem que ser exigido por parte dos governantes, pois enquanto estiverem agindo da forma a qual julgam necessária, tudo continuará do jeito que está e podendo ficar cada vez pior.

  42. ADRIANA MIRANDA Disse:

    Nos professores, temos que irmos em busca da qualidade ate mesmo da perfeição no que estamos ensinando, e não simplesmente nos preocuparmos com nossos títulos, ter sempre em mente a finalidade e o objetivo de um professor.

  43. ARLENE Disse:

    A universidade deve funcionar como uma engrenagem aonde alunos e professores precisam trabalham em conjunto para alcançarem êxito. E esse êxito não será medido em quantidades e sim em qualidade.

  44. Shara Rezende Disse:

    Penso que seja difícil chegar a uma conclusão sobre qual o papel mais importante que o professor deve exercer dentro da universidade. Acredito que haja perfis. Há professores quem escolhem se dedicar aos alunos e há também os que preferem as revistas internacionais.

  45. Eliane Mittelstad Disse:

    A tríade da universidade ensino-pesquisa-extensão é complexa. Não é nem necessário argumentar muito acerca da exigência da produtividade (haja Qualis!!!) Rubem leva a pensar, realmente, qual o propósito da universidade, ou muito além, qual o propósido da educação e do ensino superior. Há dois lados nessa história, ponderando de forma diferente sobre isso: tanto os orgãos que regulam, fiscalizam e avaliam a produtividade (CAPES, CNPq), quanto o próprio docente em seu fazer.

  46. ADAIL PEREIRA CARVALHO Disse:

    Excelente parábola para refletirmos sobre o papel das Universidades e seus educadores. Mostra o grande desafio das Universidades que é compatibilizar, priorizar e valorizar o ensino, pesquisa para atender as necessidades da sociedade. Dentro do exercício da docência são exigidas do rpofessor várias qualificações e, especificamente no ensino superior, atualmente observamos a valorização das qualificações acadêmicas, pesquisas e titulações, principalmente esta última, em detrimento das qualificações pedagógica e interpessoal. Melhorar estas qualificações com foco no processo de aprendizagem, face às dinãmicas e necessidades da sociedade, é nosso maior desafio no ensino superior, priorizá-las é um bom caminho. Assim podemos propiciar aos alunos (sociedade) as competências, habilidades, atitudes e valores indispensáveis a uma efetiva participação, criando e consumindo bens culturais e contribuindo para uma boa transformação do mundo em que vivem.Esse é nosso papel!

  47. marcia Disse:

    Em tudo que voce faz, ha necessidade de ser bem feito ,ter produtividade,do contrario pode descartar,porque nos prejudica.Os valores adquiridos contribuem para uma sociedade sadia e de producaocontinua,porque o que e belo so por fora,nao fazmal por dentro.

  48. Izza Disse:

    Certa vez, num colégio militar onde lecionava, fui questionada sobre qual a diferença entre a galinha e a pata, e sem entender onde aquela questão iria chegar deixei que a professora que me perguntava concluisse seu pensamento, e foi quando ela me disse que ambas botam ovos, mas que apenas a galinha anuncia o ovo que botou, enquanto a pata continua calada, e então fui aconselhada a ser galinha. Porque como o granjeiro, o comandante do colegio investia apenas nas galinhas, não em patas, por mais que as patas estivessem colocando ovos. Conclusão: o ato descrito por Rubem Alves no texto, é mais comum do que se pensa independente do grau de escolaridade da instituição de ensino.Quanto à mim? Mudei de granja.

    • lucianoaferreira Disse:

      Adorei sua contribuição. Foi muito bem-vinda, rsrs! E fico feliz por você ter se mudado. Ah… nem tudo precisa ser anunciado! Abração,

      Luciano.

  49. Selma Guida Disse:

    Excelente reflexão: “Não importa a quantidade dos ovos, mas sim o que vem dentro deles”. Levando para a realidade da universidade, infelizmente o que vimos é o apoio a docentes com mais diplomas e artigos publicados, enquanto a qualidade do ensino não é levada em consideração.

  50. Cléia Alves Disse:

    Esta parábola, mostra o quanto devemos refletir sobre o nosso trabalho em sala, e o que estamos ensinado e aprendendo enquanto professores. Sera que estamos sendo negligentes ou inegligentes em cumprir com nossa missão. E o papel das instituições de nível superior, qual sera seu valor enquanto formadores de pessoas pensantes.

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