Filão Religioso.

By lucianoaferreira

Este “post” vale a pena ser lido. Desarme seu “espírito” para lê-lo. Sei que existe gente séria até no meio religioso, contudo não dá para “fechar os olhos” para o que tem ocorrido à nossa volta. Abração,

Luciano Almeida Ferreira.

O filão religioso
Ricardo Gondim

As Casas Bahia disputam o mesmo mercado que a Magazine Luiza. As duas lojas se engalfinham para abocanhar o filão dos eletrodomésticos, guarda-roupas de madeira aglomerada e camas de esponja fina. Buscam conquistar assalariados, serralheiros, aposentados e garis. Em seus comercias, o preço da geladeira aparece em caracteres pequenos, enquanto o valor da prestação explode gigante na tela da televisão. A patuléia calcula. Não importa o número de meses, se couber no orçamento, uma das duas, Bahia ou Luiza, fecha o negócio - o juro embutido deve ser um dos maiores do mundo.

Toda noite, entre oito e dez horas, a mesma lengalenga se repete nos programas evangélicos. Pelo menos quatro “ministérios” concorrem em outro mercado: o religioso. Todos caçam clientes que sustentem, em ordem de prioridade, os empreendimentos expansionistas, as ilusões messiânicas e o estilo de vida nababesco dos líderes. Assim, cada programa oferece milagres e todos calçam suas promessas com testemunhos de gente que jura ter sido brindada pelo divino. Deus lhes teria abençoado com uma vida sem sufoco. Infelizmente, o preço do produto religioso nunca é explicitado. Alardeia-se apenas a espetacular maravilha.

Considerando que a rádio também divulga prodígios a granel, como um cliente religioso pode optar? Para preferir uma igreja, precisa distinguir sobre qual missionário, apóstolo, pastor ou evangelista, Deus apontou o dedo. E se tiver uma filha com leucemia aguda, não pode errar. Ao apelar para uma igreja com pouco poder, perde a filha.

O correto seria freqüentar todas. Mas como? Em nenhuma dessas igrejas televisivas o milagre é gratuito ou instantâneo. As letrinhas, que não aparecem na parte de baixo do vídeo, afirmariam que, por mais “ungido” que for o missionário, um monte de exigência vem embutida na promessa da bênção. É preciso ser constante nos cultos por várias semanas, contribuir financeiramente para que a obra de Deus continue e, ainda, manter-se corretíssimo. Um deslize mínimo impede o Todo Poderoso de operar; qualquer dúvida é considerada uma falta de fé, que mata a possibilidade do milagre.

Lojas de eletrodoméstico vendem eletrodoméstico, óbvio. Igrejas evangélicas comercializam a idéia de que agenciam o favor divino com exclusividade. E por esse serviço, cobram caro, muito caro. Afinal de contas, um produto celestial não pode ser considerado de quarta categoria. A “Brastemp” espiritual que os teleevangelistas oferecem vem do céu.

O  acesso ao milagre se complica, porque todos mercadejam o mesmo produto. Os critérios de escolha se reduzem a prazo de entrega, conforto e garantia.

Opa, quase esqueci! As lojas, em conformidade com o Código do Consumidor, são obrigadas a dar garantia, mas as igrejas evangélicas não dão garantia alguma. O cliente nunca tem razão. Quando a filha morrer de leucemia, o pai, além de enlutado, será responsabilizado pela perda. Vai ter que escutar que a menina morreu porque ele “deu brecha” para o diabo, não foi fiel ou não teve fé.

Mercadologicamente, Casas Bahia e Magazine Luiza estão bem à frente das igrejas. Melhor assim, geladeira nova é bem mais útil do que a ilusão do milagre.

Soli Deo Gloria.

5 Respostas para “Filão Religioso.”

  1. luciana Disse:

    Neste mundo capitalismo que vivemos até milagres se misturam com o mercado, comparando com uma geladeira das lojas de eletrodomésticos , com certeza é mais útil do que investir em um milagre que não temos segurança que teremos, a geladeira vai gelar a água, o suco etc..

  2. Anne Karollyne de Oliveira Disse:

    Infelizmente a fé virou mercado livre, onde promessas, compras de milagres, ofertas … tudo é possível neste mercado que vem crescendo rapidamente, iludindo a cabeça dos pobres e fervorosos fiéis.

  3. Osvaldo B. FIlho Disse:

    Veja bem! O clichê/trocadilho é de propósito. Assim como de propósito é a “venda” da fé. Não existe negócio maior no planeta. É a 1ª e mais bem sucedida organização econômica transnacional da terra. Desde que as “ciências econômicas” ainda nem eram “ciências econômicas”, a igreja já produzia prêmios Nobel aos montes em economia. Veja bem! (olha o trocadilho infame novamente) A sua lógica de multiplicação é muito simples. Basta entender que da 1ª surgiu a 2ª, depois a 3ª, depois a 4ª, depois….., atualmente, da última surgida ou criada após uma dissidência, ou de uma disputa comercial, já existe mais uma. Quem sabe quantas? Se o Guinnes for apurar nunca vai conseguir chegar a um total final. Amanhã sempre será o dia de se criar mais uma. Parece a teoria do número infinito, e os criadores de igreja estão conseguindo o inusitado: Provar que o “infinito é infinito mesmo”.

  4. Rosiquel Disse:

    E triste sabermos que isso realmente acontece, não com toda intensidade quanto o texto traz mais esta cada vez maior e frequente a usurpação do evangelho no Brasil e no mundo não é??
    Mas a parte de julgar eu prefiro que não seja a minha.

  5. Adaires Disse:

    Nem a fé nem o milagre virou comércio, a ganancia do ser humano é que nunca acaba. Acreditar e investir em um objetivo não é fácil. Melhor então é iludir-se e brincar de faz de conta. É como a embriagues, que como dizem os embriagados: Faz esquecer os problemas! Certeza não tenho, mas… e se der certo? rsrsrs

Deixe uma resposta